Provavelmente você já passou por isso: está em um projeto geralmente em startups ou produtos emergentes onde o core business é confuso, o público-alvo é genérico demais e tudo parece girar em torno de uma ideia mal definida. Muitas vezes, é só o sonho de alguém que, por acaso, conseguiu investimento.

Você estuda design por anos, aprende sobre métricas, jornada do usuário, testes e boas práticas, mas, na prática, acaba trabalhando com achismos, suposições de terceiros ou sem qualquer dado real. Algumas empresas até oferecem espaço para pesquisa, mas, na maioria dos casos, fazer uma boa triagem de problemas é uma verdadeira batalha.

O cliente sempre tem razão?

Nem sempre.

No design de software seja na parte visual ou funcional o cliente geralmente sabe o que não está funcionando, mas não consegue expressar o que realmente precisa. É comum querer replicar soluções prontas, tipo: “quero um app igual ao Mercado Livre”. Ok… mas e a estrutura logística? E o investimento milionário?

Nosso papel é compreender as dores e ir além do que é dito, investigar a raiz dos problemas e propor soluções viáveis. O product designer precisa equilibrar viabilidade técnica, objetivos do negócio e experiência do usuário. Como num navio: primeiro ele precisa flutuar, depois pensamos nos detalhes. De nada adianta um navio belíssimo se ele afunda.

Seu cliente ou empresa sabem o que querem?

Assim como o cliente, muitas empresas especialmente startups estão focadas em resultados rápidos. Querem ver o navio navegando, mesmo que ainda falte pintura. Um código limpo e uma interface perfeita não são prioridade quando o objetivo é simples: funcionar e dar retorno.

Sim, pode ser frustrante entregar um layout básico ou um código cheio de gambiarras. Mas, muitas vezes, é necessário priorizar a entrega. Cabe ao designer ou dev alertar e registrar que aquela solução exige revisões futuras.


Não é sobre vaidade, é sobre entrega

Ao longo de quase duas décadas como designer, vivi muita frustração surgindo da supervalorização do que fazemos. O cliente não reconhece o esforço, muda tudo por gosto pessoal, ignora padrões e conceitos. Isso é comum, pois designer ainda lida com subjetividade.

Mesmo com identidade visual, design system e fundamentos sólidos, sempre haverá alguém com um palpite ruim. E tudo bem. O segredo está em negociar com respeito: escute, contra-argumente, proponha alternativas. Muitas vezes, a sua sugestão é a que acaba sendo aprovada. E em alguns casos, o palpite é bom ou plausível, sendo necessário repensar certos detalhes e isso é bom, é uma forma de validação, seja solidário e parabenize quem fez a sugestão, essa pessoa ficará grata e mudará o dia dela.

Foco no problema, não na solução

Pra quem está começando, é natural pensar direto na solução geralmente aquela que você já domina. Se é web designer, claro, pensará logo em fazer um site. Mas isso pode ser um equívoco. Um bom trabalho começa em entender profundamente o problema.

A maioria dos projetos não será feita do zero. Vamos usar templates, frameworks, componentes prontos como blocos de LEGO. E está tudo certo! O importante é usar os blocos certos para o problema certo, com clareza e estratégia.

Projetos não são eternos (e nem precisam ser)

Muitos produtos não passam da primeira versão por falta de tração, orçamento ou simplesmente porque a ideia não fazia sentido. Por isso, pensar estrategicamente é fundamental: vale a pena escalar essa solução? Dá retorno?

Softwares têm a vantagem de serem iterativos. Podemos lançar algo simples, acompanhar métricas e evoluir com base em dados. Por isso, é melhor resolver bem um problema central do que tentar resolver tudo de uma vez e falhar.

UX e engenharia devem andar juntos

Projetos de software lidam com incertezas. Não sabemos como os usuários vão reagir, interagir e nem como será a performance fora do ambiente de testes. Quanto mais simples for o início, melhor será a capacidade de adaptação e aprimoramento.

UX e engenharia precisam andar juntos, do início ao fim. Dividir o projeto em etapas, com entregas pequenas e testes constantes, é a melhor forma de validar hipóteses. Escopos rígidos dificilmente funcionam. O time de produto precisa estar alinhado, presente e focado no problema real.

E se minha empresa não tem essa cultura?

Aí entra o papel político do profissional.

Mesmo que sua empresa não tenha esse espaço, você pode (e deve) aprender a se posicionar de forma respeitosa. Todo negócio quer lucrar e produzir bem e você é um ser ativo nesse processo. Saber se colocar com firmeza e respeito é essencial para crescer e, eventualmente, chegar a cargos de liderança.

Confie no seu trabalho. Defenda suas ideias. Lute por elas.

Se essa empresa não oferecer espaço e oportunidades, o mercado está aí aplique estrategicamente em outras vagas enquanto continua entregando com qualidade onde está. Uma hora, a oportunidade certa aparece.

Compreenda que, existem dezenas de metodologias, algumas muito interessantes e outras muito ineficientes, o que vai determinar se uma ou outra vai funcionar é seu dominio nela e a cultura da equipe ao qual você vai trabalhar, de nada adianta sair colocando metodologia com equipes resistentes ou mesmo que não tem experiencia com aquele processo.

A questão não é se você vai desanimar, mas quando você vai desanimar, eu tenho certeza que essa hora chegou ou chegará para você, mas uma coisa é certa, sempre se respeite como profissional e não pense que os outros o respeitarão sempre, muitos vão subestimar você e em alguns casos superestimar e inflar seu ego, mas se mantenha na sua posição, sempre busque compreender os projetos, busque conhecer novas ferramentas e debater com outros profissionais de outras áreas, não se prenda apenas a sua bolha, pense fora da caixa, reflita, questione, fuja dos palpiteiros e desencorajadores e valorize os que torcem por você e admiram você.

Você só será um bom designer ou programador quando souber lidar com as adversidades, você vai falhar e se frustrar, é um fato e se precisar de ajuda por conta de burnout ou depressão busque ajuda profissional, não se coloque abaixo do que você é, sua experiência é única.

Conclusão

Focar no problema e não na solução imediata exige maturidade. Muitos designers e devs preferem ir direto para a execução. Mas o verdadeiro diferencial está em pensar estrategicamente, fazer boas perguntas, ouvir com atenção e saber negociar.

Nem todas as batalhas serão vencidas. Haverá retrabalho. Haverá frustrações. Mas é nesse caos que surgem os profissionais que lideram com clareza e consistência.

Projetar não é entregar algo perfeito. É saber lidar com as incertezas, os prazos, os conflitos de equipe e os limites do negócio. O sucesso está em conseguir navegar com tudo isso e manter o navio flutuando.

Se você já viveu isso, ou tem uma visão diferente, deixe sua opinião. Discutir é essencial para amadurecermos como área.

Forte abraço!

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