É indiscutível que a tecnologia acelerou de forma sem precedentes nos últimos 10 anos. A popularização dos smartphones, cobertura 5G, veículos elétricos e agentes de IA generativa principalmente após a pandemia transformou drasticamente nossa rotina e interação com o digital. Tecnologias antes tímidas ganharam impulso em escala sem precedentes.

Porém, essa revolução trouxe impactos profundos nos hábitos sociais e no tratamento das nossas informações. A segurança cibernética, antes restrita a bancos e big techs, chegou ao mainstream. Ataques de hackers e golpes (sejam por humanos ou bots) exploram vulnerabilidades em software, hardware ou inevitavelmente erros humanos.

Com a ascensão acelerada (e de certo modo preocupante) das LLMs e geradores de texto/audiovisual, todos esses avanços entram em choque. Parece uma expansão descontrolada, gerando problemas críticos de segurança de dados.

Não sou especialista em segurança de dados. Se você é, deixe seu comentário! Vamos expandir este debate.

Como profissional de comunicação digital que acompanhou a ascensão da “rede mundial de computadores”, trago uma perspectiva histórica: a internet nasceu militar/acadêmica, na Guerra Fria. Era uma rede descentralizada para evitar perda de dados em ataques nucleares redundância pura.

Em 1992, com o fim da URSS e a dominação do modelo econômico neoliberal, países da América Latina (como o Brasil) iniciaram sua lenta informatização. A internet chegou aqui como “coisa de rico”: só a linha telefônica custava cerca de 10 salários mínimos em 1997 sem contar o computador, que poderia superar 25 salários. Eu mesmo só tive acesso fixo nessa época.

Entre 2000 e 2010, a banda larga explodiu, e programas de incentivo fiscal do governo e linhas de financiamento popularizaram PCs. Mas foi o smartphone que democratizou de fato: o mundo passou a caber na palma da mão. Deixamos de “nos conectar” para viver on-line. Redes sociais viraram obrigação; a comunicação de massa fragmentou-se em bolhas.

Surge a primeira geração 100% digital que não conhece um mundo desconectado. Todas suas memórias são digitais. Isso é incrível e assustador.

Como técnico em manutenção de micros no início da minha carreira profissional, via a despreocupação das pessoas com seus dados: backups? Raros. Fotos em disquetes, HDs ou pendrives? Perdiam-se por descuido. Eu alertava: “dados são memórias”.

Quando somos usuários leigos, é normal abstrair as complexidades por trás da tecnologia e está tudo bem! Até nós, profissionais da área de tecnologia, precisamos disso: afinal, quem vai entender compiladores ou programar em assembly só para usar projetar app? É legal mas improdutivo/inviável.

Hoje, com a nuvem, parece tudo resolvido: 15 GB “grátis” no Google Drive ou iCloud. Seus dados estão a salvo de seus pets, alagamentos ou quedas? Sim. Mas seguros contra acesso indevido? Depende.

Se você não paga pelo produto, você é o produto.

Serviços “gratuitos” de big techs estadunidenses (Meta, Google, Amazon, Microsoft) armazenam dados em servidores no Brasil. A LGPD nos protege? Sim, mas o CLOUD Act (2018) e a FISA permitem que o governo dos EUA (via NSA) acesse esses dados. A LGPD não bloqueia isso.

“Ah, mas não sou terrorista. Não me importo!”

Essa frase é o combustível do problema.

A LGPD é um passo(inspirado na GDPR europeia), mas ainda tímido. Cada país tem suas particularidades, e leis não se copiam adaptam-se.

Vamos a um exercício hipotético (sem alarmismo):

  • A internet nasceu militar e é monitorável pela NSA;
  • Big techs têm nossos dados “de graça”;
  • Quem paga a conta? Anúncios? Não só. Serviços como WhatsApp e Gmail monetizam dados.

Agora imagine: esse volume gigante de dados “gratuitos” sendo lidos por algoritmos para treinar IAs (como ChatGPT, Gemini ou DeepSeek). Eles não revelam a “mágica” dos modelos. Governos (como o Brasil) questionam: que dados alimentam essas IAs?

Não é teoria da conspiração: casos como Snowden e vazamentos na Lava Jato mostram que falhas de segurança são também questões geopolíticas.

Certo, mas o que fazer então?

  1. Consciência coletiva: dados têm valor estratégico;
  2. Escolhas críticas: avalie riscos ao usar serviços gratuitos;
  3. Fortalecer alternativas: empresas nacionais precisam de investimento em infraestrutura (hoje ainda frágil);
  4. Diálogo regulatório: equilibrar inovação e segurança é urgente.

Se você é do time “tô nem aí” (e acredito que poucos desse grupo chegaram até aqui), pode simplesmente ignorar tudo o que foi dito.

Se você é um leigo que se preocupa com seus dados, aqui vão algumas dicas:

  1. Tenha um HD externo: Armazene seus dados em mídia física. Blu-rays são uma boa alternativa, mas os valores são altos. Alguns como os Millennial Discs são excelentes, mas o custo é alto e, dependendo do caso, não compensa. Você pode pegar um HD daquele seu notebook velho e transformá-lo em HD externo usando uma case. Fica a dica.
  2. Tenha cópias sincronizadas: Usar a nuvem é uma mão na roda, principalmente se você tem fotos ou documentos que não contenham dados sensíveis ou conteúdo comprometedor (18+). Google Drive no Android e iCloud do iPhone geralmente fazem isso automaticamente – só esteja atento ao seu espaço em nuvem.

Agora, se for profissional, é uma boa tirar o escorpião do bolso e investir:

  1. 2 HDs ou SSDs com redundância: Você precisa ter dois dispositivos de armazenamento de igual tamanho e configurados em modo RAID 1.
  2. Um NAS básico: Caso use notebook (muita gente hoje em dia usa) ou compartilhe com mais de uma máquina em uma empresa pequena, pode considerar colocar um NAS (Network Attached Storage) em sua rede. Basicamente é um computador que utiliza o RAID 1 e pode ter pelo menos 2 discos – depende do modelo e da quantidade de dados com que você irá trabalhar. Quem usa edição de vídeo ou arquivos muito grandes deve considerar rede mais rápida que 1Gb.
  3. Crise tá braba? Faça seu NAS com um PC velho: Neste caso você precisa pôr a mão na massa. Instale uma distro Linux e configure permissões (se você for fera) ou utilize o OpenMediaVault. Há outras opções, mas essa que eu conheço é bem legal. Então, se tiver 2 HDs aí dando sopa que estejam com o SMART OK, use-os em RAID 1. Boa sorte!

Observação importante: Não se trata de demonizar big techs — muitas empresas brasileiras dependem delas para inovar. O desafio é encontrar um modelo verdadeiramente sustentável que proteja dados sem engessar os processos.

Se chegou até aqui, obrigado pela leitura! Se gostou, compartilhe com seus contatos.

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Forte abraço,

Wellington Falcão

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